Luke Gromen, estrategista macroeconômico, compartilhou sua visão preocupante sobre o futuro da economia dos Estados Unidos, destacando os impactos potenciais de uma recessão sobre o Bitcoin. Em uma conversa no podcast “What Bitcoin Did”, publicada nesta segunda-feira, ele apresentou um cenário onde uma crise econômica de grande escala se desenrolaria no país, impulsionada por uma série de fatores, como a fuga de capitais, a inflação crescente e o nível insustentável da dívida pública.
De acordo com Gromen, o ponto de inflexão viria quando esses problemas gerassem uma crise no estilo dos mercados emergentes, um “stop súbito” nos Estados Unidos, levando a uma grande instabilidade financeira. Para ele, o Bitcoin se beneficiaria enormemente dessa situação, assumindo um papel como ativo neutro de reserva.
Uma das questões que ele levantou é a disparidade fiscal nos Estados Unidos, com os juros pagos pela dívida e os gastos com programas de seguridade social ultrapassando 100% das receitas federais, mesmo com os impostos alcançando níveis históricos. Esse desequilíbrio estrutural, segundo Gromen, torna a implementação de medidas de austeridade extremamente desafiadora, já que elas poderiam desencadear uma recessão ainda mais severa, agravando o déficit fiscal.
Ao discutir o futuro do Bitcoin, Gromen previu que, ao longo de 2025, o Bitcoin começaria a se descolar do Nasdaq à medida que os fluxos de capital se redirecionassem. Ele antecipa que essa separação será marcante e mais visível, e que o Bitcoin acabará por encontrar novos destinos para seu valor. “Acho que isso começa a ser direcionado para o Bitcoin… será um momento realmente interessante quando começarmos a ver não só um desempenho superior, mas uma verdadeira divergência”, afirmou ele.
Outro aspecto que despertou o interesse de Gromen foi a ideia de os títulos da dívida do governo dos EUA passarem a ter uma parte de seu valor lastreada em Bitcoin. Ele sugeriu que, se os Estados Unidos emitissem dívida com, por exemplo, 5% do seu valor garantido por Bitcoin, ele próprio compraria esses títulos. Para Gromen, uma medida desse tipo não apenas impulsionaria a demanda por Bitcoin, mas também teria um impacto profundo na reconfiguração do sistema financeiro global.
O estrategista também previu um momento financeiro de grande instabilidade, o que poderia desencadear um “reset monetário”. Ele comparou esse cenário ao sistema monetário que existia antes de 1971, quando o dólar era lastreado por ouro. Nesse novo contexto, Gromen vê o Bitcoin ocupando um papel crucial como ativo neutro de reserva, coexistindo com o dólar dos EUA.
Concluindo, Gromen observou que “todos os caminhos levam, basicamente, a uma crise que vai forçar a total reserva do mercado de dívidas”, sugerindo que o Bitcoin se posiciona como a solução ideal para a preservação de riqueza durante essa transição.